31 out

Não restam dúvidas: o scarpin é um dos sapatos mais icônicos e populares do mundo da moda. O nome do modelo vem de “scarpino” que é o diminutivo de “scarpa”, que significa sapato em italiano. Ele ficou popular em 1947 graças ao designer Roger Vivier que, à época, respondia pela Maison Christian Dior.

O modelo foi uma peça muito importante do estilo “New Look” que marca a introdução da elegância e glamour no estilo das mulheres no período pós Segunda Guerra Mundial. Nesse período o scarpin era agregado a uma saia de modelagem ampla e um blazer acinturado o que contribuiu para que as mulheres da época se sentissem mais femininas.

Para a consultora de imagem e estilo, Karla Andrade, a primeira palavra para o scarpin é: experimentar. “Falo por experiência própria. Achava o modelo esquisito, tinha a impressão de que aumentava o pé. Hoje, é meu sapato preferido. Então o ideal é a gente se dar a oportunidade de descobrir se gostamos ou não de determinada peça, se ela combina conosco”.

Ela considera o sapato democrático. “Se pensarmos em idade e formato de corpo, acredito que o modelo seja bem popular. Até porque são infinitas as possibilidades de cor, estampa, altura do salto, acabamentos e até texturas, então é só buscar a combinação que você mais gostar”.

Apesar de belo, o modelo não é o mais confortável do mundo e, por isso, na opinião da especialista, essa característica faz com que ele não combine tanto com o estilo esportivo-natural. “Apesar de ter o nome de esportivo, não significa só usar tênis, mas prioriza conforto e convenhamos que o scarpin não é o tipo de sapato mais confortável do mundo, tanto pelo salto, quando pelo formato estreito nos dedos. Uma pessoa que tenha esse estilo como o principal, muito provavelmente só vai usar scarpin numa ocasião muito formal e vai procurar um modelo mais baixo, talvez com salto bloco pra dar mais conforto e estabilidade, isso se ela realmente precisar
usar”.

Para Karla, o scarpin se adequa perfeitamente ao estilo tradicional. “Poderia dizer que é o sapato típico para esse estilo, por passar essa imagem de formalidade e seriedade e normalmente vai aparecer em cores mais sóbrias. Para os demais estilos, ele se encaixa bem e o que vai variar é a forma de combinar com o resto do look”.

Você sabia?

“São 7 os estilos universais: Primeiro vamos entender que existem 7 estilos universais, mas isso não significa que existem apenas 7 estilos pessoais. Qual a diferença? O estilo pessoal é quando eu analiso alguém, uma pessoa específica. Cada um de nós temos de 2 a 3 desses estilos universais combinados de uma forma bem individual. Normalmente 1 predomina, mas analisando a gente consegue identificar os demais. Os 7 estilos são tradicional, elegante, romântico, criativo, esportivo-natural, dramático e sexy (alguns nomes podem até variar)”.

O sapato, assim como qualquer peça, precisa ser adequado para ser usado em diferentes ocasiões. “Pra quem trabalha em um ambiente formal, o scarpin pode ser o sapato do dia a dia. Além do trabalho, o modelo fica bem para ocasiões mais formais e que exigem um look mais arrumado, como festas. Não recomendo para shows, a menos que seja naquele esquema de camarote, teatro ou mesas, fora isso, fique lindamente confortável com outro sapato”.

Para alguns eventos, é bom ter cuidado. “Um coquetel, por exemplo, porque mesmo estando visualmente adequado, pode gerar desconforto caso não tenha lugares para sentar. Sempre observe isso. Por exemplo, o modelo combina com um casamento? Sim! Mas se ele for na praia, ele passa a ser inadequado”.

A combinação vai depender do estilo pessoal. “Com os looks de trabalho, funciona bem com peças de alfaiataria. Pode ser usado com qualquer modelo de calça, e o formato de bico fino combinado com o colo do pé aparecendo são aliados para uma silhueta alongada, principalmente para quem tem as pernas mais grossas”.

As combinações podem ser infinitas, mas ela resume em duas regras: “1) se o look já traz informações de estampas, texturas etc., opte pelo scarpin mais liso e numa cor que harmonize com o resto do visual (por exemplo, o estilo romântico normalmente se revela em estampas florais e delicadas, então você pode optar por um sapato numa cor suave que esteja ou não presente na estampa, mas harmonizando tudo; 2) para dar destaque ao sapato, escolha menos informação no look, seja com algo monocromático ou um simples jeans com blusinha básica e aí sim um scarpin estampado ou numa cor mais vibrante”.

Para os estilos mais criativos, tudo é opção. “As mulheres mais criativas e dramáticas na hora de vestir se sentem mais confortáveis para quebrar essas regrinhas com maestria através de mix de estampas ou combinações inusitadas de cores, texturas e aplicações, mas se esse não é o seu estilo você pode se sentir estranha. O importante é que o resultado final faça sentido para quem está vestindo”.

Pense antes de comprar

Karla aponta que a primeira questão antes de se comprar um scarpin é a necessidade. “Algumas pessoas, claro, compram por necessidade para o trabalho, por exemplo. Para as que não tem essa obrigação eu diria que o ideal é ver se, de fato, deseja o modelo e se ele combina com seu lifestyle. Não devemos comprar porque alguém disse que é elegante e bonito, o consumo pela cabeça dos outros é o mesmo que jogar dinheiro fora”.

Se você vai se arriscar a ter seu primeiro scarpin após ler este texto, a dica é: opte por um mais discreto. “Talvez um nude, no tom da pele da pessoa. Outras apostas que eu considero certeiras são: branco, animal print e/ou uma cor que você goste bastante, assim você vai se empolgar pra usar e fazer combinações”.

Quando escolher o modelo, não deixe de experimentar. “Coloque o sapato, ande pelo provador para ver se não está saindo do pé. Qualquer modelo deve ficar certo no pé pra evitar acidentes e constrangimentos. A última dica de compra é: veja se você realmente pode usar. Conheço quem ame scarpin, mas não pode usar por problemas circulatórios, e nada disso pode custar a sua saúde. Dá pra estar linda e estilosa com outros tipos de sapato”.