29 dez

A triste realidade da escravidão ainda é bastante presente no mundo da moda. Marcas mundialmente conhecidas como a Zara e Victoria Secret’s, já foram protagonistas de escândalos envolvendo suas produções a regimes abusivos de trabalho. O cenário não fica distante do Brasil. Lojas populares como Pernambucanas, Marisa e Renner também tiveram seus nomes envolvidos com trabalho escravo. Por aqui, a mão de obra boliviana, por exemplo, foi explorada em longas jornadas de trabalho exaustivo com pagamento muito abaixo do correto.

Mas, atualmente, o consumidor tem estado mais atento a esse tema. Uma ferramenta que visa auxiliar na informação acerca do assunto é o aplicativo Moda Livre, criado pela Ong Repórter Brasil, em 2013. A ideia não é o boicote e nem estímulo a compra, o principal objetivo é garantir a distribuição da informação e transparência. Sua mais recente atualização mostra que o número de marcas que exploram a mão de obra de forma indevida no país subiu para 38. Já passa de 400 o índice de costureiros encontrados em condições análogas às de escravidão no Brasil.

O app distribui as marcas em 3 níveis, verde, amarela e vermelha. As empresas são avaliadas com base em um questionário padrão. As respostas geram a pontuação para classificação. Infelizmente, muitas estão no nível vermelho. A maioria se recusa a passar informações sobre os 4 indicadores usados na metodologia da ferramenta: políticas, monitoramento, transparência e histórico. Atinge o nível vermelho as marcas que não possuem mecanismos de acompanhamento de sua cadeia produtiva, ou se tiverem um histórico desfavorável sem apresentarem mudanças ao decorrer do tempo.

No nível verde – o mais positivo -, chega as marcas que demonstram ter esses mecanismos. Atualmente, 132 empresas estão registradas no sistema do Moda Livre. Após a iniciativa, houve um crescimento no interesse das marcas em serem mais transparentes sobre o modo que produzem seus produtos. A C&A, Marisa e Reserva, divulgam a relação de fornecedores em seus sites. Já a Americanas e Pernambucanas, por exemplo, imprimem em suas etiquetas o nome do fabricante de cada peça.

 

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  1. Natália dez 29, 2018

    Nat, acho esse post super necessário para disseminar essa informação e esse aplicativo mais necessário ainda. Na minha opinião, não podemos de maneira nenhuma apoiar empresas com tais práticas, estamos em tempos tão modernos e evoluídos e elas se manterem com práticas de séculos passados apenas por dinheiro é um absurdo. Excelente publicação!

    • natalia jan 18, 2019

      Cabe a nós ficar atentos ao que compramos, né? Abraços

  2. Jennifer dez 29, 2018

    É incrível como a gente fala da escravidão como se tivesse sido a séculos atrás, mas que infelizmente continua. Eu acho isso tão triste porque as pessoas que estão trabalhando estão fazendo isso para ter o que comer em casa e as marcas se aproveitam dessa necessidade para explorar.
    Ainda bem que existem aplicativos como esse e marcas dispostas a serem mais transparentes com o seu público.
    Muito obrigada pela sua visita no Covil Dourado espero te ver mais vezes por lá!

    Blog Covil Dourado | Facebook

    • natalia jan 18, 2019

      Parece surreal, né? Pois é…

  3. Paty Martinez dez 29, 2018

    Bacana, e vc vê, criado há tanto tempo mas não é o tipo de “app que pega” .. infelizmente. Deviamos estar mais atentos a isso. Mas eu não acho correto jogar todo mundo no mesmo saco pra taxar como “vermelho” — tudo bem que é um alerta apenas mas acaba jogando um véu de possível colaborador do trabalho escravo. Eu digo pq não acho justo equiparar grandes empresas com as empresas menores que com tanto custo tentam se manter e crescer no mercado … pros pequenos é muito mais complicado (financeiramente) ir a fundo em conhecer realmente a sua cadeia produtiva. Mas a ideia é bacana.

    • natalia jan 18, 2019

      Todas as empresas, grandes ou pequenas, tem a oportunidade de saírem da taxa vermelha, basta apresentar os dados… mas no caso das pequenas, geralmente elas compram das fabricas e as fabricas é quem escravizam, pois vendem em grande escala, sabe? sao nichos diferentes.. abraços

  4. Loriene de jesus Oliveira Arruda dez 29, 2018

    Mana, que app bacana, é muito triste saber que ainda nos dias de hoje existe esse tipo de coisa e ao mesmo tempo é muito bom saber que existem pessoas atentas e preoculpadas com o próximo, muito legal mesmo! Parabéns por abordar esse tema e trazer ao nosso conhecimento esse aplicativo!

    • natalia jan 18, 2019

      Obrigada, querida. É muito importante falar sobre.

  5. Bianca dez 30, 2018

    Gostei muito do app. Eu só fico sabendo que as empresas utilizam de trabalho escravo quando sai na mídia, então foi uma ideia genial esse app, desta maneira podemos de maneira mais eficaz evitar essas empresas.
    Acho bem bacana você falar sobre esse assunto, é um assunto que não é muito falado porém muito importante. Parabéns!
    Beijos

    • natalia jan 18, 2019

      Um dos meus objetivos é que a moda seja justa, como dá, faço minha parte. Abraços.

  6. Naddi {Astro Art Nature} dez 30, 2018

    Muito bonito seu blog! *-* Adorei a matéria pois procuro me informar sobre coisas assim, inaceitáveis pra mim. Precisamos comprar consciente de que seu dinheiro está financiando determinada empresa, e avalia-la.

    • natalia jan 18, 2019

      Obrigada, querida.. o ideal é a gente se atentar mesmo e evitar comprar para que as empresas mudem de posição.. abraços