18 jul

Ainda engatinhando em Belo Horizonte, o que parecia ser um negócio de sucesso está com os dias contados. A Forever 21, marca de fastfashion voltada ao público jovem, “respira com a ajuda de aparelhos” e contratou recentemente uma empresapara uma consultoria de reestruturação afim de tentar sair do sufoco, mas, o caminho para salvar a marca não é tão simples.

Quando a Forever chegou no Brasil, causou um alvoroço pois prometia um produto diferenciado que “fez nossas cabeças” e ocupou nossos closets por um periodo. Em minha opinião, o fim da marca já estava premeditado e pode, inclusive, abrir a porteira para o declínio de lojas que fazem exatamente o mesmo, ou seja, promovem o consumo pelo consumo.

O nosso pensamento acerca da moda está mudando (“amém, aleluia”) e, consequentemente, uma reconfiguração do consumo está acontecendo. Em uma época onde fala-se muito sobre os impactos do mercado da moda no meio ambiente, é necessário avaliar a roupa como um investimento, mirar e acertar em peças de qualidade que vão durar no nosso closet é essencial e, por muitas vezes, não é isso que a F21 oferece.

Falando do que vi, muitas vezes, em BH, a loja não um atendimento de qualidade  e já começa por aí. Os tamanhos são todos americanos e não conseguimos atendimento para nos auxiliar na conversão, uma vez que a loja tem um número mínimo de funcionários – o que, ao meu ver, serve de alerta -. Por consequência precisamos levar várias peças ao provador e tentar a sorte na medida. É difícil, visto que no Brasil os tamanhos são irregulares e isso é o suficiente para nos deixar perdidas e tornar a compra uma verdadeira frustração.

Mas não para por aí: roupas amassadas, sem acabamento, tecidos pobres que parecem que vão rasgar a qualquer momento. Qualidade para que?! Preciso assumir que elas são bonitas, a vitrine enche os olhos e fazem o cartão de crédito “pular dentro da bolsa”, mas do que adianta se quando entramos no provador nada vai ficar bom no corpo? No design de moda, não aprendemos sobre modelagem e caimento atoa.

Talvez a Forever tenha cumprido sua missão, no entanto: mostrar para as outras lojas de departamento que nós, brasileiras, queríamos consumir uma moda mais bonita, moderna e diversificada. E assim aconteceu, para não ficar de fora da disputa, grandes nomes como a C&A e Renner se repaginaram e seguem fortes no mercado.

Mas, o que fica é a ideia do novo consumo. É urgente a necessidade de colocar um freio no gasto assoberbado e comprar com consciência. Nós, seres humanos, e o planeta precisa disso. O que acontece com a Forever 21 agora reforça a ideia de que só existe mercado quando existe comprador. Então vamos fazer valer nosso meio ambiente, nosso dinheiro e nosso gosto, comprando de quem faz pensando além do lucro.

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  1. Nailah jul 19, 2019

    Post perfeito, concordo exatamente com isso. As vitrines da forever 21 enchem os olhos, mas os tecidos são de péssima qualidade, acabamento ruim também. Quando as lojas abriram aqui no Brasil foi um sucesso por ser uma loja americana, mas com o tempo fomos vendo o que realmente importa, qualidade em atendimento e produtos.

    • natalia jul 21, 2019

      é importante ter um olhar crítico acerca disso mesmo. Obrigada pelo feedback, abraços!

  2. Luciana Heitor jul 19, 2019

    Temos que ter muita consciência ao comprar sempre. As vezes vemos algo que gostamos, empolgamos e, por impulso, compramos e depois nos decepcionamos. Que sirva de lição para os dois lados!

    • natalia jul 21, 2019

      Sim! Por isso é mega importante conhecermos nosso estilo pessoal, sabermos exatamente nosso gosto para roupas e o que, de fato, existe no nosso guarda-roupas. Justamente para não gerar a compra por impulso, como você citou. Abraços!

  3. Livia Passos jul 21, 2019

    Texto muito bem colocado. Assino embaixo, inclusive. Há muito tempo eu parei de comprar qualquer roupa em qualquer loja. Pesquiso muito e tento comprar peças de qualidade, que respeitem meu gosto e durem bastante, afinal, dinheiro não nasce em árvore.. rs

    • natalia jul 21, 2019

      Concordo e estou nessa vibe de ver a roupa como um investimento, ou seja, o consumo tem que valer a pena.

  4. Laryssa Machado ago 05, 2019

    Que post maravilhoso, Natalia.
    Quando a Forever 21 chegou aqui em Goiânia eu fiquei doida, mas nas primeiras visitas desanimei: os preços não era tão em conta, os tamanhos nunca batiam e a maioria das peças tinham defeitos, mas, ainda assim, eu sempre passava lá para comprar alguma coisinha. Felizmente mudei meus conceitos e não compro mais apenas por comprar e, por isso, faz tempo que não compro nada na Forever 21.

    http://www.larydilua.com/

    • natalia ago 05, 2019

      Pois é, acaba que a gente precisa refletir onde investir nosso dinheiro. As roupas são feitas para cair bem e durar. Vale a pena observar isso.