Imagine o cenário: determinada loja decide fazer a promoção do ano. Os preços parecem imperdíveis, as peças incríveis, mas, você não precisa de roupa nova naquele momento então ignora a propaganda porque ela não é pra você. Chega o dia da super liquidação, nas redes sociais, a divulgação se intensifica e rola até vídeos da fila que está dobrando o quarteirão. Você então começa a pensar que talvez deveria estar lá, mesmo sem necessidade de novos looks, é a “promoção do ano”, afinal, como você pode perder?

Acontece que, no mês seguinte, a loja decide fazer outra “promoção do ano”. A ideia é mostrar que você realmente perdeu a que passou e que, por isso, eles vão te dar outra chance. Não precisa de muito para te convencer dessa vez, você já decide ir no momento em que fica sabendo. Quando o dia chega, você é uma das primeiras da fila, afinal, chegou duas horas antes para pegar um bom lugar e conseguir comprar o máximo que conseguir.

Quando finalmente o relógio marca o horário da loja abrir, você se prepara. Ao entrar, faz um rápido panorama de tudo o que tem e começa a procurar peças a um preço justo. Só que ninguém ali dentro está disposto a fazer o mesmo. As pessoas correm, puxam as peças de qualquer maneira dos cabides, o importante ali é quantidade. De repente você é tomada por aquele imediatismo também, afinal, se todo mundo está com o braço cheio de peças você também precisa estar. Mesmo em dúvidas sobre várias peças, seja por tamanho, cor ou se simplesmente gostou, de fato, daquilo, você decide pegar. Vendedoras gritando, o local cada vez mais cheio você se dá por satisfeita e vai feliz ao caixa. Gastou pouco e está levando várias peças pra casa. Era a “promoção do ano”, afinal.

Quando você chega em casa vai experimentar tudo o que comprou. “Esse vestido era mesmo dessa cor?”, “Não tinha reparado que esse blazer era desse tecido”, “Essa calça parece grande demais”, são pensamentos que vem à mente. De repente o arrependimento começa a bater. Você nota um desfiado em uma peça, uma costura mal feita na outra.  A liquidação não parece mais tão vantajosa.

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Isso tem acontecido muito no mercado. Liquidações imperdíveis e peças totalmente dispensáveis. O consumo pelo consumo nos faz quase reféns, a gente simplesmente não quer ficar de fora porque as marcas tem nos convencido de que, aconteça o que acontecer, a nossa vida vai ficar melhor se uma peça deles for embora pra casa com a gente. E não é assim.

Quantas vezes você comprou uma roupa e se arrependeu? Vivemos em um momento em que se diz muito sobre refletir antes de consumir, mas nem todo mercado da moda entendeu a importância disso. É preciso refletir onde colocamos nosso dinheiro e porque estamos fazendo isso. É essencial que se reflita: preciso disso?

Em um mundo de exageros e desperdícios, reflita seu consumo e escolha lojas que lhe proporcione uma experiência de compra positiva, com vendedores que te atendam bem, com paciência e atenção, que você consiga, tranquilamente, olhar todas as peças, pensar com calma se deseja leva-la pra casa ou não. Experimentar, testar looks. Isso ainda existe por aí.

Portanto, não acredite quando uma loja tenta te convencer de que você precisa URGENTE de uma peça se você nem estava procurando por ela. Deixe seu guarda-roupa funcional, com composições que você, de fato use, desapegue do que não use e evite desperdícios. Não seja vítima do consumo pelo consumo, mas opte por um consumo consciente, afinal, precisamos ser a mudança que desejamos ver.

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  1. Lulu on the sky nov 19, 2019

    Achei bem oportuno seu post, realmente as lojas querem colocar na nossa cabeça um consumismo desenfreado. Eu fiz um vídeo no meu canal com dicas de Black Friday.
    big beijos