14 out

Diane usa sua criação, em 1974

“Sinta-se mulher. Use um vestido”. Essa icônica frase marcou o lançamento de um dos vestidos mais versáteis do mundo da moda, o wrap dress. Conhecido também como envelope ou transpassado, a peça foi criada pela estilista belga Diane Von Furstenberg, há cerca de 40 anos e se tornou um verdadeiro ícone do vestuário feminino. À época, o vestido atingiu, logo no ano de lançamento, a marca de 4 milhões de modelos vendidos em todo o mundo.

Em meados de 2010, quando Diane esteve no Brasil para a abertura da exposição “Journey of a Dress” (A Jornada de um Vestido), que traz uma retrospectiva de sua carreira, a estilista chegou a dizer para o Estadão que desenhou o modelo pensando em algo sexy, elegante e feminino. Tudo isso sem perder a praticidade e facilidade na hora de vestir. Para ela a peça deixa a mulher bonita e livre para ter uma vida produtiva, afinal, a mulher que trabalha não precisa estar descuidada.

Após todo esse tempo, o modelo continua moderno e querido. Para a consultora de imagem e estilo Tais Mantilla, trata-se de uma peça clássica e atemporal. “O wrap dress sempre teve e sempre vai ter um espaço no guarda-roupa das mulheres”.

Segundo a especialista, o modelo valoriza vários pontos fortes do corpo feminino ao mesmo tempo. “Isso porque ele marca a cintura, alonga a silhueta, devido ao decote em V, e equilibra a proporção do corpo por ter modelagem de saia evasê. Além disso, variações podem ser encontradas com detalhes que adicionam volume tanto nos ombros, quanto nos quadris, o que pode facilitar ainda mais na busca pela proporção entre essas partes”.

Esse truque ajuda no encaixe do vestido em qualquer tipo físico. “O mais importante, claro, é pensar no estilo da mulher que veste esse vestido e o quão confortável e bonita ela se sente com ele. Mas, pensando em proporções, teoricamente, o corpo menos favorecido é o tipo físico oval, uma vez que, para ele, o ideal seria não enfatizar tanto a região da cintura. Mas, nesse caso, se a faixa nessa região for da cor do vestido, por exemplo, ajuda. Além de uma segunda peça – como colete, blazer – que ajuda a equilibrar a silhueta”.

Para ela, o modelo é um dos mais democráticos e que pode ser usado em diversas ocasiões. “Ele é absolutamente versátil. Podemos encontrar a peça nos mais diferentes tecidos, estampas e comprimento de saia e manga. Ele combina bem com um passeio no shopping, composto com um tênis e até mesmo para balada com um salto alto e batom. Depende de como a pessoa deseja explorar o modelo”.

Antes de adquirir um wrap dress, é preciso refletir como aquele modelo vai funcionar para o estilo pessoal e dia a dia de quem o usa. “Além disso, as questões do volume que pode ser adicionado na peça pelos detalhes/estampa e a escolha do tecido também devem ser levadas em consideração antes da compra. Se for uma cor que te favorece, a compra também se torna mais assertiva, uma vez que não exige muito planejamento na hora de vestir, em relação a formas de minimizar os efeitos de uma cor não tão boa”,

Mas, para a especialista, a principal dica é: se gostou, se joga. “E o bacana é fazer uma peça tão clássica como o wrap dress ter exatamente a cara de quem usa. É bom lembrar também que hoje em dia, praticamente todas as peças podem passear por todos os estilos. E aí fica a reflexão: o que você gosta normalmente? Flats, bolsinha tiracolo e tiara? Salto, bolsa grande e colares? Esse modelo de vestido pode acompanhar qualquer combo desses e isso faz da peça democrática, o que é ideal para o guarda-roupas feminino”.